CRASE
Crase, na verdade, não é o nome do acento grave (`). É a ocorrência fonológica que acontece entre dois sons "a" (preposição + artigo/pronome demonstrativo) e que deve ser representado por esse sinal.
Mas, como identificar que determinado "a" tenha de ser craseado?
Isso tem ligação direta com o termo anterior (verbo ou nome) que, muitas vezes, traz em sua regência a preposição "a". Logo, teoricamente, para que se indique a crase, é preciso observar, primeiramente, as seguintes situações:
- O verbo que vem antes do "a" precisa ser TRANSITIVO INDIRETO (ex.: pertencer, obedecer, atender, assistir) e a palavra seguinte deve ser feminina ou estar especificada pelos pronomes AQUELE, AQUELA e AQUILO:
Ele pertence àquela facção (Ele pertence a aquela facção).
Bianca costuma obedecer às leis (Bianca costuma obedecer a as leis).
- Mesmo que o verbo não seja transitivo indireto, mas apresente preposição "a" antes de ADJUNTO ADVERBIAL, se a palavra seguinte for feminina ou for iniciada pelos pronomes AQUELE, AQUELA e AQUILO terá indicação de crase:
Felipe chegou a Sessão do Congresso atordoado ("...chegou a a Sessão do Congresso...")
(Verbo CHEGAR é intransitivo, mas exige a preposição a para indicar a que lugar alguém chegou)
Mohmmed foi àquela festa sem querer ("...foi a aquela festa sem querer.")
Seguindo essa linha de raciocínio, entende-se que dentro da função de SUJEITO jamais haverá crase, pois não se tem origem de uma preposição "a", tão-somente ocorre o artigo ou pronome demonstrativo:
Aquela casa não é muito segura./A casa não é muito segura
SUJEITO
Algumas expressões sempre sugerem o uso da crase, desde que o termo seguinte seja uma palavra feminina ou um dos três pronomes demonstrativos vistos acima. São elas:
DEVIDO A, EM RELAÇÃO A, NOMINAL A, PROPENSO A, etc.
Devido (a as) às Eleições Municipais, não haverá rodada do Campeonato Brasileiro.
O cheque deverá ser nominal (a a) à empresa contratada.
Por isso, para o uso adequado do acento indicador de crase, é preciso conhecer igualmente a regência dos nomes e dos verbos.
Por enquanto, é só. Ainda discutiremos muitos outros aspectos inerentes ao acento indicador de crase ou, simplesmente, acento grave.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Artigos
NOSSO BRASIL É O TRENZINHO DA ALEGRIA
É a saúde como vai?
Lula afirma que nunca ficou tão bem... E você o que acha?
Temos numerários suficientes para cobrir todas as despesas do SUS? Quando você vai fazer um exame de alta complexidade ou até mesmo aqueles mais insignificantes, quais são as resposta que mais lhe oferece? Mesmo uma consulta médica, quantos meses leva para marcar? Pois bem veja fatos de políticos que não estão preparados para assumir uma cadeira.
Pela brecha na Lei! Opa já começou quem faz as leis? Quem aprova as Leis. Eu não sou, é você? Pois bem, por essa brecha 16 Estados deixaram de aplicar R$ 3,6 bilhões em hospitais, remédios, exames... Os subterfúgios tiraram esse numerário, extraviando para outros departamentos, como: Festas, Pagamentos de funcionários e outras secretarias.
Dinheiro esse, que poderiam ser construídos mais de 60 hospitais de médio porte, com 200 leitos cada.
O problema é que o mau exemplo vem lá de cima. O próprio Ministério da Saúde que também tem investimentos em saúde pública, deixou também de fazer aplicação no montante de R$ 5,48 bilhões entre 2001 e 2008, segundo o Ministério Público Federal.
Segundo a reportagem completa na Folha desta segunda-feira isso também vale nas administrações de algumas prefeituras.
Alci Santos Vivas Amado
Publicado no Recanto das Letras em 14/09/2009
É a saúde como vai?
Lula afirma que nunca ficou tão bem... E você o que acha?
Temos numerários suficientes para cobrir todas as despesas do SUS? Quando você vai fazer um exame de alta complexidade ou até mesmo aqueles mais insignificantes, quais são as resposta que mais lhe oferece? Mesmo uma consulta médica, quantos meses leva para marcar? Pois bem veja fatos de políticos que não estão preparados para assumir uma cadeira.
Pela brecha na Lei! Opa já começou quem faz as leis? Quem aprova as Leis. Eu não sou, é você? Pois bem, por essa brecha 16 Estados deixaram de aplicar R$ 3,6 bilhões em hospitais, remédios, exames... Os subterfúgios tiraram esse numerário, extraviando para outros departamentos, como: Festas, Pagamentos de funcionários e outras secretarias.
Dinheiro esse, que poderiam ser construídos mais de 60 hospitais de médio porte, com 200 leitos cada.
O problema é que o mau exemplo vem lá de cima. O próprio Ministério da Saúde que também tem investimentos em saúde pública, deixou também de fazer aplicação no montante de R$ 5,48 bilhões entre 2001 e 2008, segundo o Ministério Público Federal.
Segundo a reportagem completa na Folha desta segunda-feira isso também vale nas administrações de algumas prefeituras.
Alci Santos Vivas Amado
Publicado no Recanto das Letras em 14/09/2009
só cronicas
O bigode
O homem tinha um vasto bigode, que cultivava com afinco e esmero. Ah!, o homem era praticamente seu bigode. Um bigode empostado, desses que não se vê mais hoje em dia, à exceção de alguns poucos abnegados da tradição. Toda manhã, ao adentrar em seu banheiro – cujas torneiras reluziam a ouro – ele procurava a tesoura própria para a poda e o pente fino, cuja eficiência era questionável, mas de um prazer no massageio inigualável.
O homem colocava seu terno italiano, acercava o pulso com o suíço, provava o café sob olhares temerosos dos serviçais e saia em busca do sedan preto que o esperava em frente ao prédio. Na calçada, segundos antes de entrar no carro, sentia o sol matinal cingir-lhe a face e dourar-lhe o espírito. O Senador achava-se o filho da estrela, o ungido, afinal, foram mais de cinquenta anos no poder, tendo generais, almirantes, brigadeiros, outros senadores, deputados, empresários, sindicalistas, banqueiros, e até presidentes sob a tutela de seu bigode.
Seguia para a esplanada, onde ficava o seu domínio – a sua Cidade Proibida. Já lhe tremiam os dedos pela idade, mas o peito e o olhar mantinham-se sempre acima da linha do horizonte. Todos se curvavam à sua passagem, fosse por respeito ou por temor. Detinha-se nos corredores para dar abraços efusivos e interesseiros em colegas ou em subalternos. Porém, no fundo, sentia desprezo por todos e escarrava mentalmente a cada adulação. Queria, a essa altura, viver cercado de concubinas, sem ter de, ainda, fazer gracejos com parasitas.
O Bigode havia construído um império às custas de sua posição e dos cofres públicos. Amparara toda sua prole e garantira que jamais, mesmo que findasse mil anos, seu sobrenome se perdesse nas vagas do tempo. Contudo, o Senador não contara com a soberba da juventude e menosprezou àqueles que seguiam seus passos como a uma cartilha. Até então, enfrentara exércitos fracos, mal preparados e despojados de sua altivez… mas o tempo é cruel com os anciãos.
Numa sessão dos iguais, levantou-se a hipótese de que o Bigode não servia mais como antigamente – estava ultrapassado. “Este plenário é como um bote salva-vidas há dias perdido, Senador. É hora dos velhos servirem de alimento às gerações vindouras, para que a espécie continue”, declarou a nova casta. Com o dedo em riste, mas tremendo – por idade e ódio arraigado – o Senador negou-se a se entregar. Vestiu o seu antiquado, mas eficiente, uniforme de batalha, lustrou as medalhas (conquistadas em sua maioria nos bastidores e sem honra) e sacou de todas as armas que possuía.
A tropa inimiga saiu em seu encalço por todos os lados, mas o velho Bigode tinha aliados poderosos e experientes (sem contar as inúmeras táticas que tinha na manga após anos de atos e mandatos secretos). Ao ver as fardas napoleônicas em defesa do Senador, a oposição gritou: “Raspemos o bigode! Mudemos o uniforme; e já!” Só não contavam com a dificuldade de se encontrar navalha capaz de expurgar as raízes e jaquetas grisalhas – sempre crescentes e profundamente espalhadas naquela esplanada.
Beto Pacheco
O homem tinha um vasto bigode, que cultivava com afinco e esmero. Ah!, o homem era praticamente seu bigode. Um bigode empostado, desses que não se vê mais hoje em dia, à exceção de alguns poucos abnegados da tradição. Toda manhã, ao adentrar em seu banheiro – cujas torneiras reluziam a ouro – ele procurava a tesoura própria para a poda e o pente fino, cuja eficiência era questionável, mas de um prazer no massageio inigualável.
O homem colocava seu terno italiano, acercava o pulso com o suíço, provava o café sob olhares temerosos dos serviçais e saia em busca do sedan preto que o esperava em frente ao prédio. Na calçada, segundos antes de entrar no carro, sentia o sol matinal cingir-lhe a face e dourar-lhe o espírito. O Senador achava-se o filho da estrela, o ungido, afinal, foram mais de cinquenta anos no poder, tendo generais, almirantes, brigadeiros, outros senadores, deputados, empresários, sindicalistas, banqueiros, e até presidentes sob a tutela de seu bigode.
Seguia para a esplanada, onde ficava o seu domínio – a sua Cidade Proibida. Já lhe tremiam os dedos pela idade, mas o peito e o olhar mantinham-se sempre acima da linha do horizonte. Todos se curvavam à sua passagem, fosse por respeito ou por temor. Detinha-se nos corredores para dar abraços efusivos e interesseiros em colegas ou em subalternos. Porém, no fundo, sentia desprezo por todos e escarrava mentalmente a cada adulação. Queria, a essa altura, viver cercado de concubinas, sem ter de, ainda, fazer gracejos com parasitas.
O Bigode havia construído um império às custas de sua posição e dos cofres públicos. Amparara toda sua prole e garantira que jamais, mesmo que findasse mil anos, seu sobrenome se perdesse nas vagas do tempo. Contudo, o Senador não contara com a soberba da juventude e menosprezou àqueles que seguiam seus passos como a uma cartilha. Até então, enfrentara exércitos fracos, mal preparados e despojados de sua altivez… mas o tempo é cruel com os anciãos.
Numa sessão dos iguais, levantou-se a hipótese de que o Bigode não servia mais como antigamente – estava ultrapassado. “Este plenário é como um bote salva-vidas há dias perdido, Senador. É hora dos velhos servirem de alimento às gerações vindouras, para que a espécie continue”, declarou a nova casta. Com o dedo em riste, mas tremendo – por idade e ódio arraigado – o Senador negou-se a se entregar. Vestiu o seu antiquado, mas eficiente, uniforme de batalha, lustrou as medalhas (conquistadas em sua maioria nos bastidores e sem honra) e sacou de todas as armas que possuía.
A tropa inimiga saiu em seu encalço por todos os lados, mas o velho Bigode tinha aliados poderosos e experientes (sem contar as inúmeras táticas que tinha na manga após anos de atos e mandatos secretos). Ao ver as fardas napoleônicas em defesa do Senador, a oposição gritou: “Raspemos o bigode! Mudemos o uniforme; e já!” Só não contavam com a dificuldade de se encontrar navalha capaz de expurgar as raízes e jaquetas grisalhas – sempre crescentes e profundamente espalhadas naquela esplanada.
Beto Pacheco
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